Cardeal Arinze: As pessoas que se encontram em situação objetivamente pecaminosa não podem receber a Comunhão ‘em boa consciência’

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As pessoas que vivem em uma situação objetivamente pecaminosa e cuja consciência lhes indica que podem receber a Sagrada Comunhão são “responsáveis” por uma “consciência equivocada” e precisam de ajuda para “compreenderem a situação em que se encontram”, afirmou o Cardeal Francis Arinze, da Nigéria, em uma entrevista exclusiva concedida ao LifeSiteNews.

Arinze, que é prefeito emérito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, reagiu a um argumento elaborado na semana passada por um padre sinodal, o qual afirma que os divorciados e casados novamente, e até as duplas homossexuais, deveriam ter a permissão de receber a Sagrada Comunhão, caso “tenham chegado a uma decisão” de fazê-lo “em boa consciência”.

Arinze afirmou que uma pessoa deve moldar sua consciência de acordo com os caminhos do Senhor para realizar julgamentos corretos.

“A consciência, segundo a doutrina da Igreja é o ditame imediato daquilo que deve ou não ser feito. A consciência dirige o indivíduo. Contudo, a consciência deve ser educada para envergar os caminhos de Deus, os Mandamentos de Deus, interpretados autenticamente pela Igreja, o que quer dizer que a consciência deve ser educada, treinada”, disse ele.

Arize citou trechos do Catecismo da Igreja Católica que lidam com a consciência e comentou o significado das passagens.

Parágrafo 1790: “o ser humano deve obedecer sempre ao juízo certo da sua consciência. Agindo deliberadamente contra ele, condenar-se-ia a si mesmo. Mas pode acontecer que a consciência moral esteja na ignorância e faça juízos erróneos sobre atos a praticar ou já praticados”.

Arinze diz: “Quer dizer, a consciência cria o certo e o errado, mas apenas direciona a pessoa àquilo que ela deveria ou não deveria fazer. Essa consciência deve ser educada, treinada”, disse ele.

Parágrafo 1791: “Muitas vezes, tal ignorância pode ser imputada à responsabilidade pessoal. Assim acontece «quando o homem pouco se importa de procurar a verdade e o bem e quando a consciência se vai progressivamente cegando, com o hábito do pecado» . Nesses casos, a pessoa é culpada do mal que comete.”

Arinze: “Isso significa que não é suficiente que a consciência diga: ‘posso fazer isso’, se ela tiver se tornado cega por causa de reiterados maus atos. Portanto, a pessoa é responsável pela consciência equivocada. Isso também está claro”, disse ele.

Parágrafo 1792: “A ignorância a respeito de Cristo e do seu Evangelho, os maus exemplos dados por outros, a escravidão das paixões, a pretensão de uma mal-entendida autonomia da consciência, a rejeição da autoridade da Igreja e do seu ensino, a falta de conversão e de caridade, podem estar na origem dos desvios do juízo na conduta moral.”

Arinze: “Você pode ver, então, que se uma pessoa sempre rouba, sempre mente, sempre realiza atos contrários à castidades, ela pode começar a se acostumar a tais atos e não mais chama-los por seus nomes. Mas um sacerdote ou um bispo tem de ajudar essa pessoa, chamando o bem de ‘bem’ e o mal de ‘mal’. Isso significa que, embora a consciência tenha de ser seguida, ela deve ser educada”, disse ele.

Arinze disse que há “normas objetivas de certo e errado”, não importa o que a consciência pessoal possa ditar ao indivíduo.

“Suponha que eu diga que em minha consciência: ‘sigo o que minha consciência diz’. Vejo aquele carro e gosto dele. E minha consciência me diz que seria legal eu ter aquele carro. Vou até lá e o tomo para mim, ou vou ao banco e roubo um punhado de dinheiro. Seria suficiente dizer: ‘minha consciência está certa, ela não me fez sentir culpado’?”

“A polícia não acharia isso engraçado e o juiz me mandaria para a cadeia, eu e minha consciência. Compreende? A consciência deve ser educada. A norma objetiva de certo e errado é a sabedoria eterna de Deus inserida na natureza humana, o que chamamos de lei natural”, disse ele.

Quando perguntado o que um ministro do sacramento da Sagrada Comunhão deveria fazer quando abordado por pessoas que vivem em uma situação objetivamente pecaminosa e que dizem que têm a consciência tranquila para se aproximarem do sacramento, Arinze respondeu que tais pessoas precisam de ajuda para “compreenderem a situação em que se encontram”.

O bem e o mal objetivos existem. Cristo disse que aquele se divorcia de sua esposa e se casa com outra, Cristo tem uma palavra para esse ato: ‘adultério’. Não é minha essa palavra. É a palavra do próprio Cristo, que manso e humilde de coração, que é a verdade eterna. Então, Ele sabe o que está dizendo”.

“Ora, a melhor maneira de ajudar uma pessoa é com a verdade. Então, será necessário fazê-lo com caridade, de um modo bondoso, para ajudar essas pessoas compreenderem a situação em que se encontram. Não basta deixa-las com suas consciências”, disse ele.

Para explicar seu argumento, o cardeal usou a analogia de um médico que cura um paciente ferido.

“Um bom médico que recebe um paciente com uma grande ferida, uma chaga, sabe o que deve ser feito. Talvez, limpar algumas partes. Talvez, algumas injeções. Talvez seja necessário dar alguns remédios.”

“Mas e se o médico disser: ‘o paciente diz que não gosta dessas medidas, ele fica mais feliz com uma bandagem’, pega uma boa bandagem e enfaixa a ferida, ele é um bom médico? A ferida é curada porque a consciência do paciente diz a ele que essa é a melhor maneira de cuidar dela?”

“Veja, a realidade não respeita o que uma pessoa e sua consciência pensam. Então, o médico deveria tratar aquela ferida com a melhor ciência médica.”

“É assim que o médico mostrará misericórdia ao paciente”, disse ele.

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