Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor – Único dia durante o ano em que não se celebra missa, apenas distribui-se a comunhão. Nesta celebração somos convidados a compreender e a viver mais profundamente o mistério da cruz: o sofrimento e a morte assumidos por Cristo foram em vista da nossa salvação. A Paixão segundo o Evangelho de João apresenta a cruz como glorificação de Jesus, ela é sinal de salvação e de vitória (cf. Jo 3, 14). A Cruz é símbolo de Cristo e da vida nova que ele nos oferece, por isso, ao reverenciarmos a cruz nós estamos adorando o próprio Redentor. A Oração Universal rezada nesta celebração nos faz lembrar que Cristo veio para que todos, sem distinção, tivessem vida em abundância.

SUGESTÕES PARA A CELEBRAÇÃO E A VIVÊNCIA DA LITURGIA

a)     Criar clima de silêncio; o altar deve estar despojado, ou seja, sem cruz, sem toalha, sem candelabros, etc.; o Evangelho pode ser dialogado (assim como no domingo de Ramos ao ler a Paixão não se faz à saudação – O Senhor esteja convosco); a cruz (descoberta) pode entrar em procissão, trazida pelo presidente acompanhado com velas acesas enquanto canta três vezes “Eis o lenho da cruz…” – depois todos vão fazer a “adoração”; o modo comum é aquele em que o presidente coloca-se no altar (ou na frente do altar) com a cruz coberta (pano vermelho ou roxo) e aos poucos vai descobrindo-a (primeiro a parte de cima, depois o lado direito e por fim toda) enquanto canta “Eis o lenho da cruz…”; no momento da Adoração deve-se cantar algo apropriado, ou seja, cantos que lembrem o sacrifício de Cristo na cruz. Lembretes: preparar antes uma toalha e o corporal para o momento da comunhão; esta celebração geralmente é feita às três da tarde (pode ser realizada mais tarde, porém não depois das nove da noite); pode-se organizar uma via-sacra ou caminhada silenciosa; convidar a todos para que depois da oração final retirar-se em silêncio. A cor é vermelha.
Neste dia não se celebra a Eucaristia.

b)     Guarda-se o jejum e a abstinência.
c)     Só se celebram nestes dias os sacramentos da Unção dos enfermos e da Confissão.
d)     Prepara-se tapete e almofadas para os sacerdotes (presidente e concelebrantes).
e)     Os sacerdotes prostam-se os demais ministros, coroinhas e povo ajoelham-se.
f)      Prepara-se uma cruz que deve ser esplendorosa coberta com um véu vermelho e dois castiçais com velas (na credencia no fundo igreja).
g)     Durante a adoração e o beijo devocional, canta-se hinos apropriados e salmos.
h)     Depois da comunhão proceda-se à desnudação do altar, deixando a mesma cruz no centro do altar, com quatro castiçais.
i)       Pode-se fazer até a hora da procissão do Senhor Morto a via-sacra.
j)      Tendo a procissão do Senhor Morto, pode-se deixar o esquife a veneração pública, juntamente com a imagem de Nossa Senhora das Dores. Na procissão recomenda-se silêncio e orações e também o uso das matracas, bem como um carro de som com canto gregoriano, ou cantos penitenciais.

Na credencia:

a)     Missal
b)     Lecionário
c)     Toalhas para o altar
d)     Jogos completos de alfaias
e)     Purificatório
f)      Velas para o altar.
g)     Âmbulas

2 – PARALITURGIAS E PIEDADE POPULAR

Sexta-feira Santa: Sermão das 7 Palavras, descimento do Senhor Morto da cruz e procissão do enterro (Em alguns lugares o povo tem a tradição de dar um beijo na imagem do Senhor morto.) É mais uma oportunidade para evangelizar, fazendo com que a devoção seja mais significativa, através dos vários grupos, movimentos, pastorais, etc. Destacar e dar um significado ao beijo das crianças, dos jovens, dos casais, dos homens e das mulheres, dos idosos, dos doentes, etc. Uma pequena paraliturgia pode ser preparada para este momento, com cânticos penitenciais e fazendo uma ligação com a Campanha da Fraternidade 2016.

3. MOMENTOS FORTES:

Elementos da Celebração
O elemento fundamental e universal da liturgia desse dia é a proclamação da Palavra, uma vez que a Igreja, por antiqüíssima tradição, não celebra hoje a eucaristia. A celebração compõe-se de três partes:

a) A liturgia da Palavra

O evangelho, conforme uma longa tradição é o da Paixão segundo S. João (Jo 18,1-19.42). A Igreja reserva para este dia precisamente pela perspectiva com que o apóstolo apresenta a vida e a morte de Jesus.
A primeira leitura é o texto do profeta Isaías que narra a passagem do servo sofredor ( Is 52,13-53,12). É um trecho do quarto cântico do Servo de Javé. Com esta leitura é oferecida a imagem do Cristo sofredor, conduzido ao matadouro como uma ovelha muda, carregando todos os nossos pecados, causa da nossa justificação.
O Salmo responsorial é tirado do Sl 30, cujo versículo 6 Jesus pronunciou na cruz (Lc 23,46) “… Sou o opróbrio dos meus inimigos… Confio em ti, Senhor… Fazes brilhar tua face sobre teu servo…” A liturgia atribui a Jesus o Salmo inteiro, encontrando nele a descrição de sua paixão e de seu pleno abandono nas mãos do Pai.
A Segunda leitura, é proclamado um trecho da carta aos Hebreus ( 4,14-16;5,7-9). Ela nos mostra Cristo obediente que se torna causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem.

A.1) Oração Universal

Depois da leitura da Sagrada Escritura e da homilia, a liturgia da Palavra termina com as orações solenes (= Oração universal) segundo o esquema da antiga prece litúrgica: convite, intenções, prece em silêncio, “coleta” (= oração das preces por parte do presidente da assembléia).
São 10 súplicas: pela Igreja, pelo papa, pelas ordens sagradas e por todos os fiéis, pelos catecúmenos, pela unidade dos cristãos, pelos judeus, pelos não-cristãos, pelos que não crêem em Deus, pelos governantes e pelos atribulados…
Podemos assinalar a teologia que emerge do lugar que essas orações solenes ocupam depois da proclamação da palavra de Deus. A assembléia, iluminada pela palavra, abre-se à caridade orando pelas necessidades atuais, começando pela Igreja e assim por diante.

b) A adoração da Santa Cruz

Não se oferece o sacrifício eucarístico na Sexta-feira santa. Em lugar da eucaristia fazem-se a apresentação e a adoração da cruz. A atenção da Igreja se fixa no calvário. É um rito que nasce como conseqüência da proclamação da paixão de Jesus. Há nesta veneração o antigo costume de mostrar aos fiéis a cruz, descobrindo-a progressivamente enquanto se canta, três vezes, o Ecce lignum crucis (eis o lenho da cruz), ao que o povo responde: “Vinde, adoremos!” Para a adoração da cruz, aproximam-se os cristãos que exprimem sua adoração pela genuflexão, pelo beijo ou por outros sinais adequados. Ao terminar a adoração, põe-se a cruz sobre o altar, que é símbolo do sacrifício e sacerdócio de Jesus Cristo. A assembléia contempla seu Senhor (Jo 19,37).

C. Liturgia da comunhão

Terminada a liturgia da adoração da cruz, cobre-se o altar com uma toalha e traz-se o Santíssimo Sacramento. O presidente da assembléia adora-o, fazendo uma genuflexão. Pronuncia-se o Pai Nosso e o embolismo seguido da aclamação do povo, como nas missas. Em seguida dá-se a comunhão à comunidade.
Podemos dizer que o significado desta comunhão fundamenta-se em São Paulo, que alude a uma relação profunda e misteriosa entre a comunhão sacramental e a paixão e morte de Cristo. Na 1Cor 11,26 ele lembra: “Todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha.” A Eucaristia também é participação da morte de Cristo (1Cor10,15-16).
A solene ação litúrgica da paixão e morte do Senhor termina com a oração pós comunhão, que é uma ação de graças pela nova vida que o Pai nos comunicou pela “morte e ressurreição” de seu Filho, e logo em seguida, a oração sobre o povo que menciona junto a morte e a ressurreição, pedindo que “venha o vosso perdão, seja dado o vosso consolo; cresça a fé verdadeira e a redenção se confirme”, e o povo se retira em silêncio após esta bênção.

4 – O jejum pascal

Nesse dia observa-se o jejum chamado “pascal”, porque nos faz reviver a passagem (“transitus”) da paixão à alegria da ressurreição. É um sinal exterior da participação interior do sacrifício de Jesus (2Cor 4,11), e também como sinal de que chegamos aos dias em que nos tiraram o Esposo (cf. Lc 5,33-35). A tradição desse jejum é antiqüíssima, atestada por Tertuliano e Hipólito que, em Roma, a celebração anual da Páscoa começava com o jejum da Sexta-feira santa e prolongava-se durante todo o Sábado, até a celebração da Vigília na noite entre o Sábado e o Domingo.
A Sacrossanctum Concilium, a constituição sobre a liturgia, prescreve: “Sagrado seja o jejum pascal, a se observar na Sexta-feira da Paixão e Morte do Senhor e, se for oportuno, a se estender também ao Sábado Santo, a fim de que se chegue com o coração livre e aberto às alegrias do Domingo da Ressurreição” (SC 110).
O jejum pascal não é um elemento secundário, mas como parte integrante da celebração do tríduo pascal.