O Papa Francisco explica a relação entre Cristo e a Igreja

VATICANO, 29 Out. 14 / 12:50 pm (ACI/EWTN Noticias).- Durante a Audiência Geral de hoje, quarta-feira, o Papa Francisco refletiu na Praça São Pedro sobre as dimensões visível e espiritual da Igreja, e cuja relação pode ser compreendida através de Cristo.

Diante dos milhares de peregrinos, Francisco explicou que em Cristo, “em força do mistério da Encarnação, reconhecemos uma natureza humana e uma natureza divina, unidas na mesma pessoa de modo admirável e indissolúvel. Isso vale de modo análogo também para a Igreja”.

“E como em Cristo a natureza humana ajuda plenamente aquela divina e se coloca ao seu serviço, em função do cumprimento da salvação, assim acontece, na Igreja, pela sua realidade visível, nos confrontos da realidade espiritual. Também a Igreja, então, é um mistério, no qual aquilo que não se vê é mais importante que aquilo que se vê e pode ser reconhecido somente com os olhos da fé”, afirmou.

À continuação, apresentamos a íntegra da Catequese por cortesia da Rádio Vaticano:

A Igreja: realidade visível e espiritual

Queridos irmãos e irmãs, bom dia

Nas catequeses precedentes, tivemos a oportunidade de evidenciar como a Igreja tem uma natureza espiritual: é o corpo de Cristo, edificado no Espírito Santo. Quando nos referimos à Igreja, porém, imediatamente o pensamento vai para as nossas comunidades, às nossas paróquias, às nossas dioceses, às estruturas nas quais nos reunimos e, obviamente, também à componente e às figuras mais institucionais que a regem, que a governam. Esta é a realidade visível da Igreja. Devemos nos perguntar, então: trata-se de duas coisas diversas ou da única Igreja? E, se é sempre a única Igreja, como podemos entender a relação entre a sua realidade visível e aquela espiritual?

1. Antes de tudo, quando falamos da realidade visível da Igreja, não devemos pensar somente no Papa, nos bispos, nos padres, nas irmãs e em todas as pessoas consagradas. A realidade visível da Igreja é constituída por tantos irmãos e irmãs batizados que no mundo acreditam, esperam e amam. Mas tantas vezes ouvimos dizer: “Mas, a Igreja não faz isto, a Igreja não faz aquilo…”. “Mas, diga-me, quem é a Igreja?”. “São os padres, os bispos, o Papa…”. A Igreja somos todos, nós! Todos os batizados somos a Igreja, a Igreja de Jesus. De todos aqueles que seguem o Senhor Jesus e que, no seu nome, fazem-se próximos aos últimos e aos sofredores, procurando oferecer um pouco de alívio, de conforto e de paz. Todos aqueles que fazem aquilo que o Senhor nos ordenou são a Igreja.

Compreendemos, então, que também a realidade visível da Igreja não é mensurável, não é conhecível em toda a sua plenitude: como se faz para conhecer todo o bem que é feito? Tantas obras de amor, tanta fidelidade nas famílias, tanto trabalho para educar os filhos, para transmitir a fé, tanto sofrimento nos doentes que oferecem os seus sofrimentos ao Senhor… Mas isto não se pode mensurar e é tão grande! Como se faz para conhecer todas as maravilhas que, através de nós, Cristo é capaz de operar no coração e navida de cada pessoa? Vejam: também a realidade visível da Igreja vai além do nosso controle, vai além das nossas forças e é uma realidade misteriosa, porque vem de Deus.

2. Para compreender a relação na Igreja, a relação entre a sua realidade visível e aquela espiritual, não há outro caminho que não olhar para Cristo, do qual a Igreja constitui o corpo e do qual foi gerada, em um ato de infinito amor. Também em Cristo, de fato, em força do mistério da Encarnação, reconhecemos uma natureza humana e uma natureza divina, unidas na mesma pessoa de modo admirável e indissolúvel. Isso vale de modo análogo também para a Igreja. E como em Cristo a natureza humana ajuda plenamente aquela divina e se coloca ao seu serviço, em função do cumprimento da salvação, assim acontece, na Igreja, pela sua realidade visível, nos confrontos da realidade espiritual. Também a Igreja, então, é um mistério, no qual aquilo que não se vê é mais importante que aquilo que se vê e pode ser reconhecido somente com os olhos da fé (cfr Cost. dogm. sulla Chiesa Lumen gentium, 8).

3. No caso da Igreja, porém, devemos nos perguntar: como a realidade visível pode colocar-se a serviço daquela espiritual? Mais uma vez, podemos compreender isso olhando para Cristo. Cristo é o modelo da Igreja, porque a Igreja é o seu corpo. É o modelo de todos os cristãos, de todo nós. Quando se olha Cristo não se erra. No Evangelho de Lucas, conta-se como Jesus, tendo voltado a Nazaré, onde havia crescido, entrou na sinagoga e leu, referindo-se a si mesmo, o trecho do profeta Isaías onde está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim; por isto me consagrou com a unção e me mandou para enviar aos pobres o bom anúncio, para proclamar aos prisioneiros a libertação e aos cegos a vista; para por em liberdade os oprimidos, para proclamar o ano de graça do Senhor” (4, 18-19).

Bem: como Cristo serviu-se da sua humanidade – porque era também homem – para anunciar e realizar o desígnio divino de redenção e de salvação – porque era Deus – assim deve ser também para a Igreja. Através da sua realidade visível, de tudo aquilo que se vê, os sacramentos e o testemunho de todos nós cristãos, a Igreja é chamada a cada dia a fazer-se próxima a cada homem, a começar por quem é pobre, por quem sofre e por quem está marginalizado, de modo a continuar a fazer sentir sobre todos o olhar compassivo e misericordioso de Jesus.

Queridos irmãos e irmãs, muitas vezes, como Igreja, fazemos experiência da nossa fragilidade e dos nossos limites. Todos os temos. Todos somos pecadores. Ninguém de nós pode dizer: “Eu não sou pecador”. Mas se algum de nós sente que não é pecador, levante a mão. Todos o somos. E esta fragilidade, estes limites, estes nossos pecados, é justo que procurem em nós um profundo desprazer, sobretudo quando damos mal exemplo e nos damos conta de nos tornar motivo de escândalo. Quantas vezes ouvimos, nos bairros: “Mas, aquela pessoa lá vai sempre à Igreja, mas fala mal de todos…”. Isto não é cristão, é um mal exemplo: é um pecado. O nosso testemunho é aquele de fazer entender o que significa ser cristão. Peçamos para não sermos motivo de escândalo.

Peçamos o dom da fé, para que possamos compreender como, não obstante a nossa pequenez e a nossa pobreza, o Senhor nos tornou realmente instrumento de graça e sinal visível do seu amor por toda a humanidade. Podemos nos tornar motivo de escândalo, sim. Mas podemos também nos tornar motivo de testemunho, dizendo com a nossa vida aquilo que Jesus quer de nós.

A festa de Halloween, uma chance para testemunhar a esperança cristã

O grande número de mártires que a perseguição de Diocleciano produziu, fez que a Igreja instituísse uma festa para comemorar os santos ‘anônimos’

Roma, 30 de Outubro de 2014 (Zenit.org) Redacao |

Em uma sociedade que tende a evitar a questão da morte, a festa pagã do Halloween pode ser uma ocasião propícia para testemunhar a alegria do Evangelho e da esperança cristã.

Assim, em países de tradição católica, a solenidade de Todos os Santos é comemorada no dia 1 de novembro para destacar a vocação universal dos cristãos à santidade. Neste dia a Igreja comemora todos os santos que não têm uma festa própria no calendário litúrgico.

O grande número de mártires cristãos que a perseguição de Diocleciano produziu (284-305) levou a Igreja no século IV a estabelecer um dia para comemorá-los, já que o calendário não era suficiente para dar a cada um o seu. A primeira data era 21 de fevereiro.

Mas em 610 a festa litúrgica dos Santos mudou para 13 de maio, dia em que o Papa Bonifácio IV consagrou o Pantheon romano, onde se honravam os deuses pagãos, como templo da Santíssima Virgem e de Todos os Mártires.

Há pouco mais de cem anos depois, Gregório III (731-741) a transferiu para o 1 de novembro, em resposta à celebração pagã do Ano Novo celta ou “Samagin” – agora chamada Halloween – , na qual se festejava a noite do 31 de outubro, acreditando que ocorria a abertura entre o mundo material e o das trevas, e que os mortos viessem visitar os vivos.

Mais tarde, Gregório IV (827-844) estendeu a celebração do 1 de Novembro para toda a Igreja. Neste dia os cristãos homenageiam os santos “anônimos”, pessoas que viveram a serviço de Deus e de seus contemporâneos.

Neste sentido, é a festa de todos os batizados, que são chamados por Deus à santidade. A celebração termina, portanto, com um convite à experimentar a alegria daqueles que colocaram Cristo no centro de sua vida.

Você também pode ler: A origem do Halloween, véspera do Dia de Todos os Santos

Homilia do Papa Francisco na cerimônia de beatificação de Paulo VI

VATICANO, 19 Out. 14 / 11:11 am (ACI/EWTN Noticias).- O Papa Francisco presidiu neste domingo a cerimônia de beatificação de Paulo VI e encerramento do Sínodo da Família 2014, na qual destacou o trabalho evangelizador de seu predecessor e agradeceu pelo dom do Sínodo.

À continuação, apresentamos a íntegra da homilia pronunciada pelo Santo Padre:

Acabamos de ouvir uma das frases mais célebres de todo o Evangelho: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22, 21).

À provocação dos fariseus, que queriam, por assim dizer, fazer-Lhe o exame de religião e induzi-Lo em erro, Jesus responde com esta frase irônica e genial. É uma resposta útil que o Senhor dá a todos aqueles que sentem problemas de consciência, sobretudo quando estão em jogo as suas conveniências, as suas riquezas, o seu prestígio, o seu poder e a sua fama. E isto acontece em todos os tempos e desde sempre.

A acentuação de Jesus recai certamente sobre a segunda parte da frase: “E [dai] a Deus o que é de Deus”. Isto significa reconhecer e professar – diante de qualquer tipo de poder – que só Deus é o Senhor do homem, e não há outro. Esta é a novidade perene que é preciso redescobrir cada dia, vencendo o temor que muitas vezes sentimos perante as surpresas de Deus.

Ele não tem medo das novidades! Por isso nos surpreende continuamente, abrindo-nos e levando-nos para caminhos inesperados. Ele renova-nos, isto é, faz-nos “novos” continuamente. Um cristão que vive o Evangelho é “a novidade de Deus” na Igreja e no mundo. E Deus ama tanto esta “novidade”!

“Dar a Deus o que é de Deus” significa abrir-se à sua vontade e dedicar-Lhe a nossa vida, cooperando para o seu Reino de misericórdia, amor e paz.

Aqui está a nossa verdadeira força, o fermento que faz levedar e o sal que dá sabor a todo o esforço humano contra o pessimismo predominante que o mundo nos propõe. Aqui está a nossa esperança, porque a esperança em Deus não é uma fuga da realidade, não é um álibi: é restituir diligentemente a Deus aquilo que Lhe pertence. É por isso que o cristão fixa o olhar na realidade futura, a realidade de Deus, para viver plenamente a existência – com os pés bem fincados na terra – e responder, com coragem, aos inúmeros desafios novos.

Vimo-lo, nestes dias, durante o Sínodo Extraordinário dos Bispos: “sínodo” significa “caminhar juntos”. E, na realidade, pastores e leigos de todo o mundo trouxeram aqui a Roma a voz das suas Igrejas particulares para ajudar as famílias de hoje a caminharem pela estrada do Evangelho, com o olhar fixo em Jesus. Foi uma grande experiência, na qual vivemos a sinodalidade e a colegialidade e sentimos a força do Espírito Santo que sempre guia e renova a Igreja, chamada sem demora a cuidar das feridas que sangram e a reacender a esperança para tantas pessoas sem esperança.

Pelo dom deste Sínodo e pelo espírito construtivo concedido a todos, – com o apóstolo Paulo – “damos continuamente graças a Deus por todos vós, recordando-vos sem cessar nas nossas orações” (1 Tes 1, 2). E o Espírito Santo, que nos concedeu, nestes dias laboriosos, trabalhar generosamente com verdadeira liberdade e humilde criatividade, continue a acompanhar o caminho que nos prepara, nas Igrejas de toda a terra, para o Sínodo Ordinário dos Bispos no próximo Outubro de 2015. Semeamos e continuaremos a semear, com paciência e perseverança, na certeza de que é o Senhor que faz crescer tudo o que semeamos (cf. 1 Cor 3, 6).

Neste dia da beatificação do Papa Paulo VI, voltam-me à mente estas palavras com que ele instituiu o Sínodo dos Bispos: “Ao perscrutar atentamente os sinais dos tempos, procuramos adaptar os métodos (…) às múltiplas necessidades dos nossos dias e às novas características da sociedade” (Carta ap. Motu próprio Apostolica sollicitudo).

A respeito deste grande Papa, deste cristão corajoso, deste apóstolo incansável, diante de Deus hoje só podemos dizer uma palavra tão simples como sincera e importante: Obrigado! Obrigado, nosso querido e amado Papa Paulo VI! Obrigado pelo teu humilde e profético testemunho de amor a Cristo e à sua Igreja!

No seu diário pessoal, depois do encerramento da Assembleia Conciliar, o grande timoneiro do Concílio deixou anotado: “Talvez o Senhor me tenha chamado e me mantenha neste serviço não tanto por qualquer aptidão que eu possua ou para que eu governe e salve a Igreja das suas dificuldades atuais, mas para que eu sofra algo pela Igreja e fique claro que Ele, e mais ninguém, a guia e salva” (P. Macchi, Paolo VI nella sua parola, Brescia 2001, pp. 120-121). Nesta humildade, resplandece a grandeza do Beato Paulo VI, que soube, quando se perfilava uma sociedade secularizada e hostil, reger com clarividente sabedoria – e às vezes em solidão – o timão da barca de Pedro, sem nunca perder a alegria e a confiança no Senhor.

Verdadeiramente Paulo VI soube “dar a Deus o que é de Deus”, dedicando toda a sua vida a este “dever sacro, solene e gravíssimo: continuar no tempo e dilatar sobre a terra a missão de Cristo” (Homilia no Rito da sua Coroação, Insegnamenti, I, 1963, p. 26), amando a Igreja e guiando-a para ser “ao mesmo tempo mãe amorosa de todos os homens e medianeira de salvação” (Carta enc. Ecclesiam suam, prólogo).

Quer ser salvo? Reconheça seus pecados

Roma, 18 de Setembro de 2014 (Zenit.org) Salvatore Cernuzio

“Reconhecer os próprios pecados, reconhecer a nossa miséria, reconhecer o que somos e do que somos capazes de fazer ou ter feito é precisamente a porta que se abre à carícia de Jesus, ao perdão de Jesus, à Palavra de Jesus”.

É um convite à esperança a homilia do Papa Francisco no último dia 18 de setembro em Santa Marta, mas também um convite a não ceder aos movimentos do orgulho e ter a coragem de admitir que somos pecadores necessitados da graça de Cristo.

É isso que nos leva a salvação: estar ciente da própria miséria, dos próprios limites e admiti-los com sinceridade de coração. É um excelente exemplo o Evangelho da liturgia de hoje, que fala da mulher pecadora que lava os pés de Jesus com suas lágrimas, os unge com perfume e os seca com seus cabelos.

Um gesto humilde que a mulher realiza na casa de um fariseu, “uma pessoa de certo nível e cultura” – disse o Papa – que tinha convidado Jesus porque ele queria ouvir “sua doutrina”, para “saber mais”. Diante da cena, o fariseu julga a pecadora por sua arrogância e julga também Jesus porque “se fosse profeta, saberia que tipo de mulher era aquela que o tocava”.

Não por maldade, mas porque “não conseguia entender o gesto daquela mulher”, disse Francisco, “não conseguia entender os gestos elementares do povo”. Talvez, continuou o Papa, “este homem tivesse esquecido como se acaricia uma criança, como se consola uma idosa. Em suas teorias, em sua vida de governante, não se lembrava dos primeiros gestos da vida, aquele nós todos, quando nascemos, recebemos de nossos pais”.

A ‘repreensão’ que Jesus dirige ao fariseu é, na verdade, repleta de “humildade e ternura”: “Sua paciência, seu amor, o desejo de salvar a todos” – disse o Santo Padre – levaram a lhe “explicar o que fez a mulher e os gestos de cortesia que ele mesmo não fez”.

Mas não foi apenas o dono da casa que se escandalizou com a atitude da pecadora e de Jesus, no local crescia mais e mais o murmúrio que culmina quando Cristo, na frente de todos, diz para a mulher: “Teus pecados estão perdoados! Tua fé te salvou; vá em paz!”

A palavra “salvação” Cristo “só fala à mulher, que é uma pecadora”, observou o Papa Francisco. E fá-lo “porque ela foi capaz de chorar por seus pecados, confessar seus pecados, e dizer: “Eu sou uma pecadora, e disse a si mesma”. Não disse àquelas pessoas que não eram ruim, mas eles “achavam que não eram pecadores”, porque “pecadores eram os outros: os cobradores de impostos, prostitutas …”.

Em vez disso, “Jesus – comenta o Santo Padre – diz: “Você está salvo, você está salva, você se salvou’- somente para aquele que sabe abrir seu coração e se reconhecer pecador. A salvação somente entra no coração quando nós abrimos o coração na verdade dos nossos pecados”.

Porque esse – reafirma Bergoglio – “é o lugar privilegiado do encontro com Jesus Cristo”. Parece um paradoxo ou até mesmo uma “heresia”, mas não é só o Papa Francisco que diz, São Paulo também dizia que se vangloriava de duas coisas apenas: “dos seus pecados e de Cristo ressuscitado que o salvou.”

Assim, concluiu o Bispo de Roma, é bom que todos aqueles que se sentem pecadores “abram seus corações na confissão dos pecados, ao encontrar Jesus, que deu seu sangue por todos nós.” De modo que o Filho de Deus possa dizer a todos como à pecadora: “Vai em paz, a tua fé te salvou!”. Porque “você foi corajoso, você foi corajosa a abrir o seu coração a Ele, o único que pode salvar você”.

Testemunho de um sacerdote condenado à morte pelo regime comunista fez o Papa chorar


TIRANA, 21 Set. 14 / 06:55 pm (ACI/EWTN Noticias).- Entre lágrimas, o Papa Francisco estreitou em um forte abraço ao sacerdote Ernest Simoni, de 84 anos, um dos últimos sobreviventes da terrível perseguição comunista na Albânia, quem foi encarcerado em condições desumanas e se livrou da pena de morte que sofreria devido à sua fidelidade à Igreja e ao Sucessor de Pedro.

Durante sua visita a Tirana, o Papa Francisco teve um encontro na Catedral de São Paulo com os sacerdotes, religiosos, religiosas, seminaristas e movimentos leigos da Albânia, onde escutou com atenção o testemunho do Padre Simoni.

O presbítero relatou que em dezembro de 1944 começou na Albânia um regime comunista ateu que buscou eliminar a fé e o clero com “prisões, torturas e assassinatos de sacerdotes e leigos durante sete anos seguidos, derramando o sangue dos fiéis alguns dos quais antes de ser fuzilados gritavam: ‘Viva Cristo Rei!’”.

Em 1952, as autoridades comunistas reuniram os sacerdotes que sobreviveram ao regime e ofereceram a liberdade em troca de distanciar-se do Papa e o Vaticano, proposta que estes jamais aceitaram. Assim, o Pe. Simoni relatou que antes de ser ordenado sacerdote estudou com os franciscanos por 10 anos desde 1938 até 1948, e quando seus superiores foram fuzilados pelos comunistas seguiu seus estudos clandestinamente.

“Dois anos terríveis se passaram e no dia 7 de abril de 1956 fui ordenado sacerdote, um dia depois da Páscoa e na Festa da Divina Misericórdia celebrei minha Primeira Missa”.

Em 24 de dezembro de 1963 ao concluir a Missa de Vésperas de Natal, quatro oficiais apresentaram o decreto de prisão e fuzilamento, e o padre foi algemado e detido. No interrogatório lhe disseram que seria enforcado como um inimigo porque disse ao povo “que morreremos todos por Cristo se for necessário”.

As torturas o deixaram em muito mal estado. “O Senhor quis que continuasse vivendo”. Entre os cargos que lhe imputaram figurava celebrar uma Missa pela alma do Presidente John F. Kennedy assassinado um mês antes de sua prisão, e por ter celebrado missa, por indicação do Papa Paulo VI, por todos os sacerdotes do mundo.

“A Divina Providência quis que minha condenação à morte não fosse realizada imediatamente. Na sala trouxeram um outro prisioneiro, um querido amigo meu, com o propósito de me espiar, e começou a falar mal do partido”, recordou.

“Eu de todos os modos respondia que Cristo tinha nos ensinado a amar os inimigos e a perdoá-los e que nós devíamos nos empenhar no bem do povo. Essas minhas palavras chegaram aos ouvidos do ditador que após alguns dias livrou-me da pena de morte”, explicou o P. Simone.

Os comunistas trocaram sua sentença de morte por uma pena de 28 anos de trabalhos forçados. “Trabalhei nos canais de esgotos e durante o período da prisão celebrei a Missa, confessei e distribuiu a comunhão às escondidas”, relatou.

O sacerdote foi liberado quando caiu o regime comunista e começou a liberdade religiosa. “O Senhor me ajudou a servir tantos povos e a reconciliar a muitas pessoas afastando o ódio e o diabo dos corações dos homens”, assegurou.

“Santidade, seguro de poder expressar a intenção dos presentes eu peço que pela intercessão da Santíssima Mãe de Cristo, o Senhor lhe dê vida, saúde e força na guia do grande rebanho que é a Igreja de Cristo, Amém”, concluiu o sacerdote antes de dar ao Papa um abraço que comoveu o Pontífice às lágrimas.

Você se sente um pecador salvo por Cristo? Não? Então, é um cristão morno

Roma, 04 de Setembro de 2014 (Zenit.org) Salvatore Cernuzio

A alergia de Bergoglio à inteligência “mundana” continua a manifestar-se mais, e mais explicitamente: três homilias na Casa Santa Marta foram ocasião para uma crítica velada à “sabedoria” que se traduz em muito estudo, em uma boa conversa, diminuindo a sabedoria divina, que é a verdadeira sabedoria.

Hoje, o Papa Francisco inspirou-se nas palavras de Paulo que, em sua Primeira Carta aos Coríntios, convida aqueles que se julgam sábios a “tornarem-se loucos para serem sábios, pois a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus”.

“Paulo – disse o Papa- nos diz que a força da Palavra de Deus, aquela que transforma o coração e muda o mundo, que nos dá esperança e nos dá a vida, não está na sabedoria humana: não está em belas palavras ou na inteligência do homem, não! Isto é loucura”, diz ele.

A Palavra de Deus tem um poder transformador: “passa pelo coração do pregador”. Por isso, Jesus diz àqueles que pregam a Palavra de Deus: “tornem-se loucos”, ou seja, “não coloquem sua segurança em sua sabedoria, na sabedoria do mundo”.

A força da Palavra de Deus “provém de outro lugar”, isto é, do encontro com Cristo, um encontro que – disse o Papa – se realiza através de nossos pecados e da misericórdia que Deus reserva a estes. Um encontro que é o fulcro da vida cristã e, onde não há este encontro, encontramos igrejas “decadentes” e cristãos “mornos”.

Um cristão, de fato, não tem motivo para se orgulhar de suas pesquisas, de seus estudos ou de sua formação cultural, mas, como afirmam Pedro e Paulo, pode se ‘envaidecer’ por duas coisas: seus pecados e Cristo crucificado”. São Paulo em suas epístolas não transcrevia seu currículo, nem dizia que ele tinha “estudado com os professores mais importantes”.

‘Eu apenas me vanglorio dos meus pecados’ diz o Apóstolo dos Gentios. Palavras que escandalizam observa Bergoglio, bem como aquelas da outra passagem: ‘Eu apenas me vanglorio em Cristo e neste Crucifixo.’

A força da Palavra de Deus, testemunha o apóstolo, está no encontro entre os meus pecados e o sangue de Cristo que me salva. “Quando não existe aquele encontro, não há força no coração”, destaca Francisco. “Quando se esquece aquele encontro que tivemos na vida, tornamo-nos mundanos, queremos falar das coisas de Deus com linguagem humana, e não serve: não dá vida.”

Da mesma forma São Pedro, como narrado no Evangelho da pesca milagrosa, fez a experiência de encontrar Cristo através de seus pecados. Ele se dá conta de sua pequenez, ajoelha-se a Seus pés e confessa: “Afasta-te de mim, porque sou um homem pecador.”

Por isso, “neste encontro entre Cristo e os meus pecados está a salvação”, observa o Papa. “O lugar privilegiado para o encontro com Jesus Cristo são os nosso pecados. Se um cristão não é capaz de se sentir pecador e salvo pelo sangue de Cristo e por este Crucifixo é um cristão a meio caminho, é um cristão morno”.

Quando encontramos Igrejas, paróquias, instituições “decadentes”, significa que “os cristãos que estão ali nunca encontraram Jesus Cristo ou se esqueceram”, pois “aquele encontro vira a vida, muda a vida, disse o Papa, e dá-te a força de anunciar a salvação aos outros.”

A homilia do Santo Padre terminou com a habitual lista de perguntas a serem feitas ao longo do dia: “Sou capaz de dizer ao Senhor que sou pecador, confessando o pecado concreto? Sou capaz de acreditar que Ele com o seu sangue salvou-me do pecado e deu-me uma vida nova? Tenho confiança em Cristo? Perguntemo-nos isso, exorta o Papa, não esquecendo que já temos uma resposta: De duas coisas: de meus pecados e de Cristo crucificado”.

João Paulo II: “Frederico Ozanam é verdadeiramente um santo laico do nosso tempo”

Testemunho vivo de um homem inserido em seu tempo sem perder a meta da eternidade.

Belo Horizonte, 08 de Setembro de 2014 (Zenit.org) Fabiano Farias de Medeiros

“Gostaria de abraçar o mundo inteiro numa rede de caridade” era a célebre frase de Antonio Frederico Ozanam que nasceu na Itália no dia 23 de abril de 1813. Foi o quinto filho, entre os catorze, do casal Jean Antoine e Mariae Ozanam. Seus pais eram cristãos fervorosos e dedicados aos cuidados dos doentes e enfermos de todas as camadas sociais. Em 1815 a família de Ozanam mudou-se para Lyon onde o jovem iniciou seus estudos em 1822 sendo acompanhado pelo abade Noirot que infundiu esmerada educação cristã e humana.

Em 1831, Frederico foi para Paris estudar na Universidade de Sorbonne e foi acolhido por André-Marie Ampère, um grande cientista e matemático francês que era muito fervoroso na fé e foi de grande influência para o jovem Frederico. Contribuiu com vários artigos para vários jornais e revistas, dentre elas a Tribune Catholique. Moderou diversos debates sobre religião e política e despertava profundo interesse de criar uma associação para pôr em prática o catolicismo tão bem desempenhado intelectualmente.

No ano de 1833, juntamente com outros seis jovens, Frederico funda a Sociedade de São Vicente de Paulo, com o intuito de acolher e dar assistência aos pobres e excluídos. Esta sua atuação tão vigorosa no campo humano e social lhe valeu o reconhecimento como precursor da doutrina social da Igreja. Formou-se em Direito no ano de 1833 e em Letras no ano de 1839. Em 1841 casou-se com a jovem Amélie Soulacroix com a qual teve uma filha. As ocupações cotidianas não desfaleceram o emprenho missionário do jovem Frederico que difundiu por toda a Europa a Sociedade.

Em 1846 é acometido de grave enfermidade pulmonar que se agravaria ainda mais com a participação exaustiva do jovem nas mediações entre a política e o catolicismo na Revolução de 1848. Faleceu no dia 8 de setembro de 1853, em Marselha, França.

Frederico Ozanam foi beatificado em 22 de agosto de 1997 pelo Papa João Paulo II que o definiu: “Frederico Ozanam é verdadeiramente um santo laico do nosso tempo”

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